Classe de palavras: Artigo

Classe de palavras: Artigo

Artigo

Precede o substantivo para determiná-lo, mantendo com ele relação de concordância. Assim, qualquer expressão ou frase fica substantivada se for determinada por artigo (O ‘conhece-te a ti mesmo’ é conselho sábio). Em certos casos, serve para assinalar gênero e número (o/a colega, o/os ônibus).

Os artigos podem ser classificado em:

  • definido – o, a, os, as – um ser claramente determinado entre outros da mesma espécie;Por exemplo: Eu matei  animal.
  • indefinido – um, uma, uns, umas – um ser qualquer entre outros de mesma espécie;Por exemplo: Eu matei um animal.

Podem aparecer combinados com preposições (numa, do, à, entre outros).

Na língua portuguesa, existem ao total, oito artigos. São eles:

Artigos definidos
masculino feminino
singular o a
plural os as
Artigos indefinidos
masculino feminino
singular um uma
plural uns umas

Exemplos:

  • o livro
  • os livros
  • um livro
  • uns livros
  • a casa
  • as casas
  • uma casa
  • umas casas
  • o homem
  • os homens
  • um homem
  • uns homens
  • a mulher
  • as mulheres
  • uma mulher
  • umas mulheres

Funções

O artigo sempre acompanha o substantivo (podendo este estar tanto antes como depois dos adjuntos adnominais), concordando com ele e indicando a ele o gênero e o número (é facultativo o uso destes quando juntos a substantivos próprios ou preposições – no caso das preposições, quando é algo comum a todas as coisas de determinada espécie). Antes de certos determinantes, não ocorre seu uso:

  • A raça humana evoluiu com o tempo.
  • Os cogumelos são os corpos de frutificação de vários fungos.
  • Uns gostam, outros não.

Na língua portuguesa, há artigos definidos e indefinidos que indicam, respectivamente, se o substantivo se refere a uma coisa específica (o, a, os, as) ou se, por outro lado, se refere a qualquer coisa pouco clara, que pode ser aleatoriamente nomeada (um, uma, uns e umas):

  • Há uns dias estará curado. (não se sabe a quantidade exata de dias)
  • Este foi o melhor acontecimento que me ocorreu. (sabe-se que foi um acontecimento único, o melhor)

Varia em número (singular e plural) e em gênero (masculino e feminino) sem exceção, formando a concordância nominal com todos os substantivos, inclusive os do sobrecomum e do epiceno:

  • As árvores foram cortadas.
  • A corrente marítima carrega a água de uma temperatura a locais de diferentes temperaturas.

Antes de substantivos no predicativo, é utilizado para seu sentido maximizar ou rebaixar:

  • Ele era o atacante e não um atacante.
  • Não foi qualquer evento, mas o evento.

Podem estar na forma de contração:

  • Tu leste o livro antes das seis horas?
  • A minha vida passou nos meus olhos num segundo.

Podem estar na forma elíptica:

  • Tiveram (a) sorte?
  • Entrei em (umas) lojas.

Podem estar referidos a substantivos que estão na forma elíptica:

  • Fecharemos às 7 (horas).

Não são usados quando os substantivos já estão determinados:

  • Estas cerejas estão muito doces.
  • De todos que tinham, aqueles carros eram os mais belos.

Substantivam palavras (transformam qualquer palavra em substantivo):

  • Qual o porquê disto?

Quanto ao emprego do artigo:

  • não é obrigatório seu uso diante da maioria dos substantivos, podendo ser substituído por outra palavra determinante ou nem usado (o rapaz ≠ este rapaz / Lera numa revista que mulher fica mais gripada que homem). Nesse sentido, convém omitir o uso do artigo em provérbios e máximas para manter o sentido generalizante (Tempo é dinheiro / Dedico esse poema a homem ou a mulher?);
  • não se deve usar artigo depois de cujo e suas flexões;
  • outro, em sentido determinado, é precedido de artigo; caso contrário, dispensa-o (Fiquem dois aqui; os outros podem ir ≠ Uns estavam atentos; outros conversavam);
  • não se usa artigo diante de expressões de tratamento iniciadas por possessivos, além das formas abreviadas frei, dom, são, expressões de origem estrangeira (Lord, Sir, Madame) e sóror ou sóror;
  • é obrigatório o uso do artigo definido entre o numeral ambos (ambos os dois) e o substantivo a que se refere (ambos os cônjuges);
  • diante do possessivo (função de adjetivo) o uso é facultativo; mas se o pronome for substantivo, torna-se obrigatório (os [seus] planos foram descobertos, mas os meus ainda estão em segredo);
  • omite-se o artigo definido antes de nomes de parentesco precedidos de possessivo (A moça deixou a casa a sua tia);
  • antes de nomes próprios personativos, não se deve utilizar artigo. O seu uso denota familiaridade, por isso é geralmente usado antes de apelidos. Os antropônimos são determinados pelo artigo se usados no plural (os Maias, Os Homeros);
  • geralmente dispensado depois de cheirar a, saber a (= ter gosto a) e similares (cheirar a jasmim / isto sabe a vinho);
  • não se usa artigo diante das palavras casa (= lar, moradia), terra (= chão firme) e palácio a menos que essas palavras sejam especificadas (venho de casa / venho da casa paterna);
  • na expressão uma hora, significando a primeira hora, o emprego é facultativo (era perto de / da uma hora). Se for indicar hora exata, à uma hora (como qualquer expressão adverbial feminina);
  • diante de alguns nomes de cidade não se usa artigo, a não ser que venham modificados por adjetivo, locução adjetiva ou oração adjetiva (Aracaju, Sergipe, Curitiba, Roma, Atenas);
  • usa-se artigo definido antes dos nomes de estados brasileiros. Como não se usa artigo nas denominações geográficas formadas por nomes ou adjetivos, excetuam-se AL, GO, MT, MG, PE, SC, SP e SE;
  • expressões com palavras repetidas repelem artigo (gota a gota / face a face);
  • não se combina com preposição o artigo que faz parte de nomes de jornais, revistas e obras literárias, bem como se o artigo introduzir sujeito (li em Os Lusíadas / Está na hora de a onça beber água);
  • depois de todo, emprega-se o artigo para conferir idéia de totalidade (Toda a sociedade poderá participar / toda a cidade ≠ toda cidade). “Todos” exige artigo a não ser que seja substituído por outro determinante (todos os familiares / todos estes familiares);
  • repete-se artigo: a) nas oposições entre pessoas e coisas (o rico e o pobre) / b) na qualificação antonímica do mesmo substantivo (o bom e o mau ladrão) / c) na distinção de gênero e número (o patrão e os operários / o genro e a nora);
  • não se repete artigo: a) quando há sinonímia indicada pela explicativa ou (a botânica ou fitologia) / b) quando adjetivos qualificam o mesmo substantivo (a clara, persuasiva e discreta exposição dos fatos nos abalou).

VÍDEO DO DIA!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *