elementos constitutivos do texto: discurso direto, indireto, indireto livre, pressuposto, subentendido e ambiguidade

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Elementos constitutivos do texto: discurso direto, indireto, indireto livre, pressuposto, subentendido e ambiguidade.

Discurso Direto, Discurso Indireto e Discurso Indireto Livre são tipos de discursos utilizados no gênero narrativo para introduzir as falas e os pensamentos dos personagens. Seu uso varia de acordo com a intenção do narrador.

Discurso Direto

No discurso direto, o narrador dá uma pausa na sua narração e passa a citar fielmente a fala do personagem.

O objetivo desse tipo de discurso é transmitir autenticidade e espontaneidade. Assim, o narrador se distancia do discurso não se responsabilizando pelo que é dito.

Pode ser também utilizado por questões de humildade – para não falar algo que foi dito por um estudioso, por exemplo, como se fosse de sua própria autoria.

Características do Discurso Direto

Utilização dos verbos da categoria dicendi, ou seja, aqueles que têm relação com o verbo “dizer”. São chamados de “verbos de elocução”, a saber: falar, responder, perguntar, indagar, declarar, exclamar, dentre outros.

Utilização dos sinais de pontuação – travessão, exclamação, interrogação, dois pontos, aspas.

Inserção do discurso no meio do texto – não necessariamente numa linha isolada.

Exemplos de Discurso Direto

Os formados repetiam: “Prometo cumprir meus deveres e respeitar meus semelhantes com firmeza e honestidade.”.

O réu afirmou: “Sou inocente!”

Querendo ouvir sua voz, resolveu telefonar:

— Alô, quem fala?

— Bom dia, com quem quer falar? — respondeu com tom de simpatia.

Discurso Indireto

No discurso indireto, o narrador da história interfere na fala do personagem donde profere suas palavras. Aqui não encontramos as próprias palavras da personagem.

Características do Discurso Indireto

O discurso é narrado em terceira pessoa.

Algumas vezes são utilizados os verbos de elocução, por exemplo: falar, responder, perguntar, indagar, declarar, exclamar. Contudo não há utilização do travessão, pois geralmente as orações são subordinadas, ou seja, dependem de outras orações, o que pode ser marcado através da conjunção “que” (verbo + que).

Exemplos de Discurso Indireto

Os formados repetiam que iriam cumprir seus deveres e respeitar seus semelhantes com firmeza e honestidade.

O réu afirmou que era inocente.

Querendo ouvir sua voz, resolveu telefonar. Cumprimentou e perguntou quem estava falando. Do outro lado, alguém respondeu ao cumprimento e perguntou com tom de simpatia com quem a pessoa queria falar.

Transposição do Discurso Direto para o Indireto

Nos exemplos a seguir verificaremos as alterações feitas a fim de moldar o discurso de acordo com a intenção pretendida.

Direto: Preciso sair por alguns instantes. (enunciado na 1.ª pessoa)

Indireto: Disse que precisava sair por alguns instantes. (enunciado na 3.ª pessoa)

Direto: Sou a pessoa com quem falou há pouco. (enunciado no presente)

Indireto: Disse que era a pessoa com quem tinha falado há pouco. (enunciado no imperfeito)

Direto: Não li o jornal hoje. (enunciado no pretérito perfeito)

Indireto: Disse que não tinha lido o jornal. (enunciado no pretérito mais que perfeito)

Direto: O que fará relativamente aquele assunto? (enunciado no futuro do presente)

Indireto: Perguntou-me o que faria relativamente aquele assunto. (enunciado no futuro de pretérito)

Direto: Não me ligues mais! (enunciado no modo imperativo)

Indireto: Pediu que não lhe ligasse mais. (enunciado no modo subjuntivo)

Direto: Isto não é nada agradável. (pronome demonstrativo em 1.ª pessoa)

Indireto: Disse que aquilo não era nada agradável. (pronome demonstrativo em 3.ª pessoa)

Direto: Vivemos muito bem aqui. (advérbio de lugar aqui)

Indireto: Disse que viviam muito bem lá. (advérbio de lugar lá)

Discurso Indireto Livre

No discurso indireto livre há uma fusão dos tipos de discurso (direto e indireto), ou seja, há intervenções do narrador bem como da fala dos personagens.

Não existem marcas que mostrem a mudança do discurso. Por isso, as falas dos personagens e do narrador – que sabe tudo o que se passa no pensamento dos personagens – podem ser confundidas.

Características do Discurso Indireto Livre

Liberdade sintática.

Aderência do narrador ao personagem.

Exemplos de Discurso Indireto Livre

Fez o que julgava necessário. Não estava arrependido, mas sentia um peso. Talvez não tenha sido suficientemente justo com as crianças…

O despertador tocou um pouco mais cedo. Vamos lá, eu sei que consigo!

Amanheceu chovendo. Bem, lá vou eu passar o dia assistindo televisão!

Nas orações destacadas os discursos são diretos, embora não tenha sido sinalizada a mudança da fala do narrador para a do personagem.

Fonte: Toda a matéria

Pressuposto e subentendido

Os Implícitos

A ideia de implícito em um texto está naquilo que está presente pela ausência, ou seja, o conteúdo implícito pode ser definido como o conteúdo que fica à margem da discussão, porque ele não vem explicitado no texto. Implícito é aquela informação que está por trás das palavras, são os não-ditos.

O que não está dito, mas que, de certa forma, sustenta o que está dito

“O tempo continua chuvoso”, comunica-se de maneira explícita que, no momento da fala, o tempo é de chuva, mas, ao mesmo tempo, o verbo “continuar” revela a informação implícita de que, antes, o tempo já estava chuvoso.

O que está suposto para que se entenda o que está dito:

“João deixou de fumar” diz-se, explicitamente que, no momento da fala, João não fuma. O verbo “deixar”, todavia, transmite a informação implícita de que Pedro fumava antes.

Pressuposto

Os pressupostos são identificados quando o locutor veicula uma mensagem adicional a partir de alguma palavra ou expressão, ou seja, o pressuposto possui uma marca linguística que permite ao leitor depreender e inferir a informação implícita. Essa percepção é característica do leitor proficiente, aquele que lê não só palavras, mas os sentidos veiculados por trás delas, nas camadas mais profundas do texto.

Há vários tipos de palavras com esse tipo de “poder”. Identificá-las é de suma importância para que se apreenda as “intenções” do dito.  Eis alguns tipos:

* Verbos que indiquem: mudança, continuidade, término…

Exemplos:

O concurseiro deixou de sair aos sábados para estudar mais.

(pressuposto: o concurseiro saía todos os sábados.)

O novo fiscal de rendas continua estudando para concursos.

(pressuposto: o fiscal estudava antes de passar.)

A espera dos candidatos pelo gabarito oficial acabou.

(pressuposto: os candidatos estavam esperando o resultado.)

* Advérbios com sentido próprio

Exemplos:

Felizmente, não preciso mais estudar.

(pressuposto: o emissor considera a informação boa)

Após uma hora de prova, metade das pessoas já havia saído.

(pressuposto: algo aconteceu antes do tempo.)

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* Uso do pronome “que” em orações subordinadas adjetivas

Exemplos:

Pessoas que fazem cursinhos passam mais rápido. (adjetiva restritiva)

(pressuposto: há pessoas que não fazem cursinho)

Os nerds, que ficam em casa o tempo todo, conseguem melhores notas. (adjetiva explicativa)

(pressuposto: todos os nerds ficam em casa o tempo todo).

Subentendidos

Enquanto os pressupostos seriam as mensagens adicionais, os subentendidos seriam as mensagens escondidas. Devem ser deduzidas pelo leitor/interlocutor e, justamente por essa ideia de dedução, podem não ser verdadeiras. O locutor/autor pode utilizar o subentendido para dizer algo que parece não estar dizendo, e a interpretação, inferência é de total responsabilidade do leitor/ouvinte. Ou seja, o autor/locutor pode perfeitamente negar ter dito o que foi inferido. Percebe-se aqui outra diferença entre os institutos, já que os pressupostos são sempre marcados linguisticamente e, por isso, são verdadeiros, inclusive quando negamos a frase original. Os subentendidos, entretanto, não possuem marcas linguísticas, seus sentidos são depreendidos pelo leitor/ouvinte através do próprio contexto comunicacional, sendo, portanto, uma interpretação ou afirmação que pode ser negada, pode ser verdadeira ou não.

Consideremos os contextos e situações comunicativas:

* Situação em que recebemos uma visita:

– Nossa! Está muito calor aqui dentro!

(possível subentendido: a pessoa pede que as janelas sejam abertas ou que se ligue o ventilador ou o ar condicionado)

Percebam que, ao negarmos a frase, a ideia subentendida desaparece. Ao mesmo tempo que é impossível provar que a pessoa esteja realmente fazendo esse pedido. É possível que o emissor negue a dedução do receptor. Vejamos outro exemplo:

* Situação em uma rua qualquer:

– A bolsa da senhora está pesada? (pergunta um jovem rapaz)

(possível subentendido: o rapaz está se oferecendo para carregar a bolsa)

Novamente, esta é apenas uma possibilidade. O rapaz poderia estar interessado na resistência da bolsa ou então preocupado com a coluna da senhora, mas não necessariamente se oferecendo para carregar a bolsa.

Fonte: Fatores de textualidade

Ambiguidade

Segundo o dicionário de Sarconi (1996), ambiguidade ocorre quando, por falta de clareza, há duplicidade de sentido, ou seja, o contexto pode ter vários significados. Como, por exemplo, na frase:

Vi o incêndio do carro.

Percebe-se que esta frase está ambígua, pois o leitor pode interpretar de dois modos: o lugar onde ocorreu o incêndio ou de onde o incêndio foi visto.

Há dois tipos de ambiguidade:

Sintática

Semântica

Ambiguidade Sintática

A ambiguidade sintática normalmente ocorre em quatro diferentes situações:

Uso incorreto do pronome relativo;

Má colocação de termos, pronomes ou frases;

Colocação inadequada do adjunto adverbial;

Frases siamesas.

Uso incorreto do pronome relativo

Sabe-se que o pronome relativo representa nomes já mencionados anteriormente com os quais se relaciona. Na frase:

Gabriela pegou o estojo vazio da aliança de diamantes que estava sobre a cama.

O que estava sobre a cama: o estojo vazio ou a aliança de diamantes?

Eliminando a ambiguidade:

Gabriela pegou o estojo vazio da aliança de diamantes a qual estava sobre a cama.

Gabriela pegou o estojo vazio da aliança de diamantes o qual estava sobre a cama.

Observação: Neste exemplo, pelo fato de os substantivos estojo e aliança pertencerem a gêneros diferentes, resolveu-se o problema substituindo os substantivos por o qual/a qual. Se pertencessem ao mesmo gênero, haveria necessidade de uma reestruturação diferente.

Má colocação de termos, pronomes ou frases

Quando ocorre a má colocação de palavras, pronomes ou frases, haverá a duplicidade de sentido. Vejamos o exemplo:

A mulher avistou o filho no seu quarto.

De quem era o quarto, do filho ou da mulher?

Para eliminar a ambiguidade, tem-se que usar o pronome possessivo adequado, assim teremos clareza na frase:

A mulher avistou o filho no quarto dela.

A mulher avistou o filho no quarto dele.

Colocação inadequada do adjunto adverbial

A ambiguidade ocorre também em função da colocação inadequada do adjunto adverbial, como se pode observar no exemplo:

Os alunos que estudam frequentemente são mais inteligentes.

Os alunos são inteligentes porque estudam frequentemente ou são frequentemente mais inteligentes porque estudam?

Assim, para eliminar a ambiguidade, temos que mudar a posição do adjunto adverbial, eliminando a ambiguidade. Daí, os alunos que estudam mais vezes são mais inteligentes.

Os alunos que estudam, frequentemente, são mais inteligentes.

Frases siamesas

Finalmente temos as frases siamesas, que são ligadas incorretamente por apresentarem períodos totalmente diferentes. Observe-se o período:

Marcinha desfilava com sua saia ocre, queria mais atenção.

Esse tipo de frase pode ser corrigido de três modos:

com ponto ou ponto-e-vírgula: “Marcinha desfilava com sua saia ocre; ela queria mais atenção.”

com a inclusão de nexos: “Marcinha desfilava com sua saia ocre, pois queria mais atenção.”

transformando a falsa principal em uma verdadeira subordinada: “Marcinha desfilava com sua saia ocre, já que queria mais atenção.”

Ambiguidade Semântica

Ocorre por conta da polissemia da palavra ou da expressão. Segundo a gramática de Pascholine & Spadoto (1996), “Polissemia é o fato de a palavra poder apresentar significados diferentes que se explicam dentro do contexto. “

Na frase: “A moça estava com a mão machucada (parte do corpo), mas passou duas mãos de tinta da parede (camada)”.

Só o contexto explica o sentido da palavra mão. Assim polissemia gera ambiguidade quando o contexto não oferece ao leitor pistas para que, a partir delas, depreenda o sentido pretendido pelo locutor. Por exemplo:

Preciso comprar uma vela!

A palavra vela pode tanto se referir a uma vela de cera como a uma vela de barco.

Espero você no banco.

A palavra banco pode se referir a uma agência bancária ou um banco de praça.

Um fato bastante interessante na ambiguidade é que, mesmo sendo evitada em construções textuais de caráter informativo, técnico e pragmático, ela é um recurso aceitável nas áreas principalmente da linguagem poética ou literária, com o objetivo de dar o duplo sentido ou para conseguir efeitos metafóricos. Nesse caso, a ambiguidade é um recurso estilístico, intencional e com objetivo claro.

Esta postagem foi elaborada pelos alunos do Instituto federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia – IFBA – Campus Santo Amaro, cursos de Eletromecânica e Informática, do 2° ano, 2013.2, para avaliação da competência produção textual como nota parcial da 3ª unidade do ano letivo.

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Compreensão e interpretação de texto.

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1 comentário

    • Francisco em 29/05/2018 às 12:18 pm
    • Responder

    Concurso prefeitura

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