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Leitura e interpretação de textos: Ponto de vista do autor

APOSTILA POLÍCIA PENAL MG 2021

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APOSTILA PREFEITURA DE CAMPINA GRANDE - PB

Leitura e interpretação de textos: Ponto de vista do autor

ATENÇÃO: Coloquei no final do artigo/ vídeo várias questões de concursos, que recomendo que faça todas, pois além de fixar melhor o conteúdo, você entenderá como este assunto é pedido nos concursos.

Caso preferir, no vídeo abaixo tem esta postagem em áudio e vídeo

Antes de falarmos sobre o ponto de vista do autor, devemos entender o que é um ponto de vista.

Ponto de vista: Opinião própria; modo particular de entender, julgar ou perceber alguma coisa; opinião: meu ponto de vista é contrário às propostas apresentadas. Fonte: dicio

Uma das coisas mais importante que devemos considerar quando analisamos um texto é o ponto de vista do autor do texto. O autor ao elaborar um texto muitas vezes coloca sua visão de mundo, sua posição ideológica, seus valores que foram construídos com o tempo, suas verdades que muitas vezes quer revelar ou mesmo encobrir.

O ponto de vista do autor, influencia diretamente na narrativa, pois ele pode esconder fatos, fornecer pistas que nos leva a ter uma ideia certa ou errada sobre o assunto e assim nos influenciar a ter uma opinião que ele quer que nós tenhamos.

Quando vamos compreender um texto, devemos saber o máximo do autor para que possamos entender seu ponto de vista. Seu posicionamento mais aprofundado do assunto e temas relacionados a ele, sua posição ideológica, suas ações e etc…. Isto é muito importante principalmente se estamos falando sobre um texto jornalístico ou científico, pois são influenciadores de opinião.

Temos que descobrir o que está sendo discutido e a opinião a favor e contra do autor sobre o texto, e se seus argumentos são sólidos sobre o assunto.

Já quando analisamos um texto literário o texto pode alterar nossa perspectiva sobre ele conforme a maneira que ele narra, fazendo que mudemos nosso ponto de vista sobre os personagens.

Pontos de vista do autor em texto literário

 

Ele pode ser na primeira, segunda ou terceira pessoa.

Primeira pessoa

É quando o personagem narra a própria história, ou seja, o autor está contando a história pelo ponto de vista do personagem.

Segunda pessoa

Já quando o autor narra na segunda pessoa, ele nos passa uma sensação que está conversando conosco, como um diálogo. Quando esta maneira de narrar é bem elaborada o leitor tem a sensação que participa da história.

Terceira pessoa

O leitor é apenas um observador da história, pois o autor apenas descreve o que cada personagem disse.

 

Agora analisando como este assunto é abordado em concursos devemos ter em mente o que é compreensão e interpretação de texto.

A compreensão de um texto é fazer uma análise objetiva do texto. É verificar o que realmente está escrito nele.

Já a interpretação de texto imagina o que as ideias do texto tem a ver com a realidade. O leitor tira conclusões subjetivas do texto.

Nos concursos a banca coloca um texto e pede que você compreenda e interprete o texto.

Você deve:

Ler o texto com atenção e descobrir através das palavras o que o autor está querendo te mostrar. Ele descreverá situações e argumentos para te levar a concluir que ele está certo sobre o assunto. Muitas vezes o ponto de vista do autor está claro, ou seja, está explícito no texto, mas em outros momento a visão do autor está oculto no texto, ou seja, está implícito no texto.

Conclusão: Leia o texto com atenção para entender o objetivo principal do autor, ou seja, a essência do texto.

 

Coloquei várias questões de concursos abaixo, para você praticar e entender como é pedido este assunto nos concursos.

 

Questões de concursos

 

QUESTÃO 1

Ano: 2021 Banca: VUNESP Órgão: TJ-SP

Leia o texto para responder à questão.

Amor é para gastar

Na economia da vida, o maior desperdício é fazer poupança de amor. Prejuízo na certa. Amor é para gastar, mostrar, ostentar. O amor, aliás, é a mais saudável forma de ostentação que existe no mundo.

Vai por mim, amar é luxo só. Triste de quem sente e esconde, de quem sente e fica no joguinho dramático, de quem sente e guarda a sete chaves. Sinto muito.

Amor é da boca para fora. Amor é um escândalo que não se abafa. “Eu te amo” é para ser dito, desbocadamente. Guardar “eu te amo” é prejudicial à saúde.

Na economia amorosa, só existe pagamento à vista, missa de corpo presente. O amor não se parcela, não admite suaves prestações.

Não existe essa de amor só amanhã, como na placa do fiado do boteco. Amor é hoje, aqui, agora… Amor não se sonega, amor é tudo a declarar.

(Xico Sá, “Amor é para gastar”. Em: http://www.itatiaia.com.br)

A frase inicial do 2º parágrafo sintetiza o ponto de vista do autor: “Vai por mim, amar é luxo só.”

Coerente com esse posicionamento, o autor reconhece que o amor é

A um sentimento que deve ser declarado e vivido no tempo presente.

B uma dívida de boteco que se intensifica quando é paga aos poucos.

C uma lembrança do passado que se legitima como poupança.

D um desperdício na vida das pessoas se não for bem guardado.

E uma ilusão que vai sendo construída ao longo da vida das pessoas.

 

QUESTÃO 2

Ano: 2021 Banca: FUNDATEC Órgão: Prefeitura de Candelária – RS

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. O destaque ao longo do texto está citado na questão.

Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir:

I. O autor emprega sua experiência pessoal como exemplo ilustrativo de seu ponto de vista.

II. Uma das estratégias de argumentação do autor é a comparação com o mundo dos esportes.

III. A experiência do autor não se mostrou tão eficiente quanto a do jogador de basquete da NBA.

Quais estão corretas?

A Apenas I.

B Apenas II.

C Apenas III.

D Apenas I e II.

E Apenas II e III.

 

QUESTÃO 3

Ano: 2021 Banca: SELECON Órgão: EMGEPRON

Texto (Para responder à questão)

Os clássicos estão morrendo?

Catástrofe espiritual. Foi assim que Cornel West, um dos mais destacados intelectuais negros dos EUA, classificou a decisão da Universidade Howard, talvez a mais importante instituição de ensino negra do país, de fechar seu departamento de estudos clássicos.

West, que escreveu um contundente artigo de opinião para o Washington Post, afirma que a noção de crimes do Ocidente se tornou tão central na cultura americana que ficou difícil reconhecer as coisas boas que o Ocidente proporcionou, notadamente os clássicos, que são clássicos justamente porque permitem uma conversação universal, abarcando pensadores de diferentes eras e povos.

Diretores de Howard responderam, no New York Times. Dizem que, ao contrário de universidades brancas de elite, a instituição não tem dinheiro para tudo e teve de estabelecer prioridades. Afirmam que os alunos de Howard não ficarão sem ler Platão, Aristóteles e outros clássicos, apenas que não haverá mais um departamento exclusivo dedicado a esses pensadores.

Os clássicos estão morrendo? Morrer, eles não morrerão. Haverá sempre, nas universidades e fora delas, uma legião de estudiosos que garantirão que nosso conhecimento sobre esses autores não só não regredirá como avançará. Eu receio, porém, que o chamado cânon ocidental será cada vez mais objeto de estudo de especialistas e menos um corpo de referências que todos os cidadãos educados reconheçam.

Isso é ruim, porque, assim como a concordância acerca do que são fatos é fundamental para a ciência e a democracia, um universo de noções comuns em que as pessoas possam se apoiar para dialogar, trocar ideias e identificar-se é vital para a constituição de uma sociedade. E é preferível que esse universo seja povoado por autores densos, que comportem interpretações complexas e que resistiram ao teste do tempo a que seja determinado pelos modismos simplificadores das guerras culturais.

Hélio Scwartsman

(Folha de S. Paulo, 04 de maio de 2021)

No ponto de vista assumido pelo autor do texto, a preocupação em relação aos clássicos se caracteriza por:

A desapego aos modelos antiquados de pensamento

B receio de se tornarem matéria apenas de especialistas

C crítica à presença autoritária dessas referências na escola

D contestação à menção de autores estritamente masculinos

 

QUESTÃO 4

Ano: 2021 Banca: FUNDATEC Órgão: Câmara de Candelária – RS

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

(Disponível em: https://exame.com/blog/sandya-coelho – texto adaptado especialmente para esta prova).

Analise as assertivas a seguir a respeito do texto:

I. O texto parte de um evento coletivo para construir sua argumentação acerca de uma questão pessoal.

II. Pode-se afirmar que a autora busca a total objetividade ao expor seus pontos de vista.

III. A autora mostra-se otimista em relação ao panorama da situação apresentada.

Quais estão corretas?

A Apenas I.

B Apenas II.

C Apenas III.

D Apenas I e II.

E Apenas II e III.

 

QUESTÃO 5

Ano: 2021 Banca: UFMT Órgão: UFMT

Instrução: Leia o texto abaixo de Walcyr Carrasco, Revista Veja Ed. 2668, e responda à questão.

Início de ano é sempre assim: a gente faz promessas, ambiciona novidades. Como o ano só começa realmente depois do Carnaval, costumo aguardar até lá. Mas aí já é tarde: o ano ganhou seu ritmo e eu deixo as mudanças para o futuro. Em 2019 pensei no que realmente desejaria para este 2020. Há uma palavra que não me sai da cabeça: segurança. É claro que o país tem problemas de todo tipo. Mas a segurança toca no meu cotidiano diretamente. […] Eu me admiro ver as pessoas convivendo com a violência como se fosse absolutamente normal. Uma amiga sai sempre com dois celulares. Um velho e um bom, escondido. O mais antigo é para, no caso de assalto, entregar ao ladrão. Já ouvi um conhecido dizer que o “meliante” foi legal, pois o deixou ficar com os documentos. Ou seja: o sujeito assalta, ameaça, mas é “legal”? Recentemente, um amigo fez aniversário. Tínhamos um evento, mas queríamos nos reunir depois das dez da noite. Foi difícil achar um restaurante: a maioria está fechando mais cedo. Em São Paulo, no centro, as mulheres andam agarradas às bolsas. O pior, porém, repito, é nossa atitude passiva. Nós nos acostumamos ao absurdo. […].

Há alguns anos, eu saía do Leblon e andava até o Arpoador pela praia. É uma boa e saudável distância. Não tenho mais coragem. Quero voltar a andar pelo calçadão sem medo. Se caminhar, realizarei meu segundo desejo de Ano Novo: perder a barriga. Mas quando? A falta de segurança mudou a minha vida. Sem dúvida, continuarei barrigudo.

A respeito dos sentidos do texto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) Dois desejos foram feitos pelo autor para 2020: segurança no país e perder a barriga.

( ) O autor não acredita que vá realizar seus desejos em 2020, conforme está expresso no segundo parágrafo.

( ) Os exemplos dados, da amiga, do conhecido e do amigo aniversariante, funcionam como argumentos a fundamentar o ponto de vista de Carrasco sobre a falta de segurança no país.

( ) No segundo parágrafo, aparece o segundo desejo e é retomado o primeiro como causa da não realização do segundo.

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Assinale a sequência correta.

A F, F, V, F

B F, F, V, V

C V, V, F, F

D V, V, F, V

 

QUESTÃO 6

Ano: 2020 Banca: VUNESP Órgão: Prefeitura de Morro Agudo – SP

Leia o texto, para responder à questão.

Rotulo, logo existo

Nosso cérebro é uma complexa estrutura forjada por milhões de anos de evolução. Por outro lado, é também primitivo e foi lapidado para seres trogloditas que viveram há milhares de anos. É curioso pensar que o mais refinado, erudito e urbano dos moradores deste planeta tenha o mesmo hardware que um caçador coletor que passou a vida errando em uma pequena área de algum lugar em busca de comer, aquecer-se e garantir a reprodução.

Desenvolvida para uma chave amigo-inimigo, nossa mente tende a rotular tudo o que vê, julgando a novidade de acordo com seu conhecimento prévio. Isso garantiu nossa vida por muitas gerações: se eu comer algo que me faz mal, toda vez que olhar para algo semelhante, sentirei repulsa. Nosso cérebro rotula de acordo com a percepção de nossos sentidos. Isso pode ser bom para evitar perigos, porém cria problemas para nossa atualidade.

Encerrar em caixas herméticas dá segurança. Começamos com a minha tribo e a do outro. Se é da minha, diminuem as chances de ataque. Classificar é a primeira forma de dominar e de se defender. O vício entrou em nós. Da tribo, passamos a gostos musicais e sexuais ou escolas artísticas. Classificar não é ruim ou errado. Supor que algo esteja controlado mentalmente por estar etiquetado é, no fundo, estupidez.

Tudo pede que você classifique continuamente. Resistir à tentação é um desafio. Pensar em aprofundar, dar uma segunda olhada, fugir do rótulo: parecem ser atitudes que exigem o desafio da vontade férrea. Deixar que sentidos mais amplos invadam sua percepção sem julgar e engavetar de imediato é um ato de resistência. Abrir espaço para complexidades é boa meta. O resto? O rema-rema de frases superficiais, senso comum e a celebração da boçalidade. Talvez, um dia, descubram que se trata de uma bactéria específica transmitida pela digitação. O remédio continua sendo ler com atenção, duvidar como método, analisar possibilidades fora do que está posto e nunca ser o representante da verdade na Terra. Ah, e ajuda abandonar redes sociais por pelo menos uma hora por dia. É preciso ter esperança.

(Leandro Karnal. Disponível em: <www.culturaestadao.com.br>. Acesso em 09.11.2019. Adaptado)

Do ponto de vista do autor, a propensão humana para classificar

A é um mecanismo natural que precisa ser controlado pelo exercício do discernimento.

B garante domínio de situações, propiciando julgamentos justos e ações racionais.

C está inscrita na mente e permite identificar com clareza qual é o grupo ao qual aderir.

D cria condições para que o indivíduo pense e julgue levando em conta os diversos lados da questão.

E é uma forma de interação do sujeito com o mundo, que lhe assegura estar do lado da verdade.

 

QUESTÃO 7

Ano: 2020 Banca: ADM&TEC Órgão: Prefeitura de Araçoiaba – PE

O politicamente correto é uma chatice. Para piorar, ele tem razão.

O banimento de algumas marchinhas carnavalescas é só mais um capítulo na novela do politicamente correto. Fenômeno mundial, mais intenso em alguns lugares do que em outros, a ideia por trás dele é muito bem intencionada: a linguagem cotidiana não apenas refletiria as diferenças históricas existentes entre grupos (privilegiados versus desprivilegiados, por exemplo), como também favoreceria a manutenção dessas diferenças. Se livrarmos a linguagem dessas influências, podemos ao menos reduzir um dos fatores que perpetuam injustiças.

Duas grandes questões precisam ser respondidas. A primeira é se essa é apenas uma opinião ou se há evidências empíricas de que seja verdade. A segunda, e tão importante quanto, é descobrir por que o politicamente incorreto incomoda tanta gente. Se conseguirmos encontrar essas respostas, pode ficar mais fácil decidirmos que rumo tomar como sociedade.

Para os críticos do politicamente correto, o mundo está ficando muito chato: levar a sério marchinhas carnavalescas com conteúdo hoje considerado preconceituoso seria uma bobagem. Nesse quesito, contudo, as evidências científicas apontam para outra direção. Vários experimentos realizados sobre o tema mostram que, por um lado, o humor não faz as pessoas se tornarem preconceituosas. Ninguém ouve uma música e pensa, “É mesmo! Negros são inferiores, como nunca me dei conta?”. Por outro, as piadas criam um ambiente de aceitação à discriminação – assim, quem já acreditava existir diferenças qualitativas entre grupos sentese menos constrangido e tem mais chance de agir de forma discriminatória. Não por acaso, são as pessoas que mais se divertem com esse tipo de humor. […]

(Adaptado. Trecho extraído de BARROS, D. M. de. O politicamente correto é uma chatice. Para piorar, ele tem razão. Disponível em: https://bit.ly/34eHqer. Acesso em: mar 2020)

Leia o texto ‘O politicamente correto é uma chatice. Para piorar, ele tem razão.’ e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:

I. Com provas empíricas, o autor do texto justifica que muitas piadas criam um ambiente de aceitação à discriminação e, consequentemente, a “liberdade” para que alguns grupos soberanos economicamente perpetuem diferenças históricas.

II. As marcas do ponto de vista do autor ficam evidentes em trechos como “Se livrarmos a linguagem dessas influências, podemos ao menos reduzir um dos fatores que perpetuam injustiças” e “descobrir por que o politicamente incorreto incomoda tanta gente”.

III. Pode-se dizer, a partir de uma leitura do texto, que tratar do tema “politicamente correto” é considerar diversos fatores como opiniões e evidências empíricas. Ou seja, não é algo possível de se discutir com base em “achismos”.

Marque a alternativa CORRETA:

A Nenhuma afirmativa está correta.

B Apenas uma afirmativa está correta.

C Apenas duas afirmativas estão corretas.

D Todas as afirmativas estão corretas.

 

QUESTÃO 8

Ano: 2020 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Câmara de Amparo – SP

Texto para responder à questão.

Eu sei, mas não devia

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz. E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá pra almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos. E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer filas para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes. A abrir as revistas e a ver anúncios. A ligar a televisão e a ver comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

(COLASANTI, Marina. A casa das palavras e outras crônicas. São Paulo: Ática, 2002.)

De acordo com os elementos e ideias apresentados, pode- -se reconhecer por meio da sustentação do ponto de vista da autora no decorrer do texto que a expressão “Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.” (1º§) indica:

A A expressão de que o conhecimento não pode modificar a realidade que se impõe.

B Uma conotação eficaz em relação aos mais variados tipos de sofrimento pelos quais passa a humanidade.

C A apropriação de um pensamento pessimista diante dos fatos retirados da realidade, do cotidiano de qualquer ser humano.

D Um desacordo em relação à acomodação com vários fatores que proporcionam efeitos como os mais variados tipos de restrições e conflitos.

 

QUESTÃO 9

Ano: 2019 Banca: VUNESP Órgão: ESEF – SP

O ambiente vai ficar pesado

Finalmente, o mundo ganhou consciência da necessidade de agir rapidamente para evitar a degradação do ambiente e, por isso, tomou a medida mais drástica que se pode tomar – lançou, contra todos os que recusam reconhecer o problema das alterações climáticas, a força mais exasperante e destruidora da natureza, uma adolescente.

Sou pai de duas adolescentes e sei que não pode haver adversário político mais irritante, impertinente e respondão. Tenho sofrido muito nas mãos destas políticas engenhosas e implacáveis. Donald Trump não sabe onde se meteu.

A Greta não precisa convencê-lo de que o mundo caminha para a extinção. Cinco minutos de conversa com ela e não só ele passa a acreditar que o mundo vai mesmo acabar como vai desejar que acabe o mais depressa possível. A única vantagem de Donald Trump é que pode usar a estratégia infantil de tapar os ouvidos e gritar até a Greta ir embora. Mas é muito improvável que ela se canse primeiro do que ele.

Trump há de querer ir brincar e a Greta não deixa. Nem sequer o velho estratagema de a mandar para a escola para descansar um pouco resulta, porque agora a adolescente pode argumentar que gostaria muito de ir para a escola, mas não pode porque o mundo precisa dela. É xeque-mate.

Talvez este modelo de ativismo extraordinariamente eficaz possa ser usado para atacar todos os outros problemas do mundo. Sempre que for preciso comparecer a mesas de negociação, os sindicatos enviam um adolescente para discutir com o patronato. Os salários passam a se chamar mesada, e ele consegue um aumento de 50% só para se calar e pôr a música mais baixo.

Nas câmaras dos deputados, os líderes dos blocos parlamentares dos partidos da oposição passam a ser deputados de 14 anos cheios de vigor, irreverência e acne.

Conseguem fazer passar vários projetos de lei importantes a troco da promessa de irem almoçar na casa dos avós no domingo sem fazer cara feia e de limparem o quarto.

Creio que, completamente por acaso, talvez tenhamos descoberto a maneira de tornar o mundo melhor.

(Ricardo Araújo Pereira, Folha de S.Paulo, 29.10.2019. Adaptado.)

Do ponto de vista do autor, adolescentes

A precisam ser controlados, caso contrário exercem uma força capaz de vencer a resistência dos mais velhos.

B são adversários temíveis, pois sempre conseguem argumentar com base em princípios racionais.

C representam ideias contemporâneas e se mostram intransigentes na defesa de interesses pessoais.

D são obstinados e capazes de usar estratagemas diversos para afirmar suas ideias.

E têm atitudes nem sempre defensáveis, apesar de se mostrarem prontos a ocupar cargos de destaque.

 

QUESTÃO 10

Ano: 2019 Banca: VUNESP Órgão: ESEF – SP

Leia o texto, para responder a questão.

Ah, os orgulhosos computadores

A cada dia que passa, os computadores devoram mais tarefas. No início, eram folha de pagamento, contabilidade e estatística. Sucesso estrondoso, por ser mais perfeito, mais barato e eliminar o trabalho monótono. Mas certas tarefas permanecem inatingíveis: devo me casar com a Mariquinha? É resposta que nem mesmo a inteligência artificial consegue dar.

Para achar imóveis, a internet é imbatível. Mas, buscando um apartamento para alugar, vivi as agruras de uma imobiliária que migrou a burocracia para seus orgulhosos computadores. No meu caso, ela se atrapalhou. São três empresas encadeadas. Onde estão as portas de entrada?

Foram muitos dias e mais de cinquenta e-mails, esgrimindo com uma informática misteriosa e tripulada por humanos que não usam o dom da voz ou da inteligência. Muito menos o da cortesia. O veredicto foi sumariado pela lapidar frase (via e-mail): “O seu cadastro não foi aprovado, tá?”

Inovadores pagam o preço dos erros. Mas será que eu também o tenho de pagar? Fui vitimado pela combinação de informática velha – com sites que travam e labirintos misteriosos – com um algoritmo novo que se perdeu na complexidade do meu caso, que não é tanta. Ao reduzir o papel dos humanos, o computador fica à mercê de algum programador simplório, perdido por aí. Pobres das cobaias que sofrem com os titubeios dos computadores.

Imagino que a empresa do futuro conseguirá manejar situações simples e lidará bem com as suas falhas humanas e informáticas – que se atrapalham entre si.

A inteligência artificial avança, pela via de uma longa curva de aprendizado com os humanos. Mas, se os humanos são burros ou bobões, mais tempo isso levará. É a regra do jogo.

(Claudio de Moura Castro. Veja, 16.10.2019. Adaptado)

É correto afirmar que, do ponto de vista do autor,

A o advento dos computadores solucionou questões complexas que a velha informática não conseguia resolver.

B existem limitações na utilização dos computadores, pois eles não têm o dom da inteligência humana.

C os programadores conseguem solucionar os problemas gerados por operações inadequadas das máquinas.

D nem todas as tarefas executadas por computadores são perfeitas, pois o fator humano interfere em seu desempenho.

E é preciso estabelecer protocolos de cortesia nos atendimentos pelo e-mail, evitando, com isso, ruídos de comunicação.

 

RESPOSTAS DAS QUESTÕES

 

RESPOSTA DA QUESTÃO 1 LETRA A

RESPOSTA DA QUESTÃO 2 LETRA D

RESPOSTA DA QUESTÃO 3 LETRA B

RESPOSTA DA QUESTÃO 4 LETRA C

RESPOSTA DA QUESTÃO 5 LETRA D

RESPOSTA DA QUESTÃO 6 LETRA A

RESPOSTA DA QUESTÃO 7 LETRA C

RESPOSTA DA QUESTÃO 8 LETRA D

RESPOSTA DA QUESTÃO 9 LETRA D

RESPOSTA DA QUESTÃO 10 LETRA D

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